segunda-feira, 1 de outubro de 2012

CRISTAIS PARTIDOS

Sentimentos escondidos em palavras.
Palavras frágeis que não dizem a verdade.
Melodia triste me emerge a você,
Sem preceito algum,
Difícil de entender,
Dissabor de uma perda,
De algo que nunca existiu 
Voo cego, abismo.
A fenda se abriu
Sorriso apagado,
sonhos perdidos,
espelho quebrado,
cristais partidos,
alquebrantados,
rosto meigo,
aguça meu olhar.
A leveza de sua voz
viajo-me no linear.
A sinuosidade do teu corpo,
impossível não encantar
o desejo que eclode na alma
transfigura o meu pensar,
fantasias solitárias, 
distância malditas.
Aquele olhar que outrora sorrira,
já não tem o mesmo brilho.
Tudo foi breve, fulgaz.
Ficou apenas saudades.


Antonio de Paula

A DEUSA DESFILA SOB MEU OLHAR

A DEUSA DESFILA SOB MEU OLHAR

Chegaste por uma manhã translúcida,
com um sorriso encantador,
e olhar meigo.
Estavas linda!
Parecia uma Deusa egípcia,
Nefertiti ou Ísis, da beleza ou do amor.
Como posso saber? Se a tenho apenas em meus desejos.
Não percebeste, mas tudo mudou.
Uma força maior me empurrou para o inesperado, 
o acaso do destino me fez cruzar teu caminho.
Tive um sentimento incontrolável, intenso e pecador.
Vieste suavemente como um bálsamo,
Que alivia e acalenta.
Inalando seu perfume.
Teu rosto harmonioso emoldura um sorriso angelical.
Uma voz suave, quase um sussurro.
Vez outra, a encontro com o rosto apoiado sobre a palma da mão.
Se esvaída em pensamentos distantes.
Séria, olhar perdido.
Peço-lhe um sorriso, vejo seus lábios se afrouxarem,
Mas és como a gota de orvalho que dissipa por entre as folhas.
Fica apenas o deslumbre da Deusa sob meu olhar.



Antonio de Paula