terça-feira, 12 de março de 2013

MIRAGEM DOURADA


Miragem dourada


A distância era odiosa.
Impossível revê-la tão breve.
Afoguei-me nas perdidas ondas.
Sobre o sol rutilante do meio dia.
Estava eu sozinho meio a multidão,
Sentado sobre a areia molhada.
Banhistas desfilavam sobre o meu olhar evasivo.
Desvelei minhas pálpebras e por um instante:
Você corria em minha direção,
Bailava ao vento em pura beleza!
Aquele sorriso esplêndido.
O cabelo dourado esvoaçava ao vento.
A veste fina transparecia tua exuberância.
Era um momento indescritível!
Preludialmente intensificado pelos nossos sonhos.
Impulsivo, jogo me a ti.
Nossos corpos se estremeceram.
Amamo-nos ao bramir das ondas.
Sob o céu dourado do entardecer.
Quando o negrume se pontilhou de luz.
Extasiamos na doçura do prazer.
Docilmente compassivo.
Alheio ao mundo, sobre a areia molhada.
Estávamos Sós, ouvindo o mar.
No quietar da noite sentia o teu coração.
Repousado sobre mim, até adormecer.
Pestanejei os olhos.
A miragem se desfez perdidas nas ondas.


Antonio de Paula.